quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Manifestum!


Não deixes os teus medos te impedirem de seres o melhor que podes ser. Não deixes que cicatrizes do passado te impeçam de viveres a felicidade do presente. Sê fiel a ti próprio. Pensa no que é realmente verdade para ti e segue apenas e somente isso. Dança na rua se assim te apetecer quando tens os phones nos ouvidos. Não te preocupes com o que os outros vão pensar. Isso impedir-te-à de seres livre e feliz. Pensa em ti primeiro, pois o mundo precisa de gente que está bem na sua própria pele. Respeita os outros sendo verdadeiro contigo próprio. Acredita que estás exactamente onde deverias estar. Crê que se algo não faz mais parte da tua vida é porque algo de bem melhor te está reservado. Se acreditas em Deus e rezas, pede-lhe o que desejas para ti e de seguida acrescenta "ou algo melhor ainda" pois nem sempre aquilo que desejamos é realmente o melhor para nós. Faz todos os dias pelo menos uma coisa que te assuste. Se algo te faz mal, deixa ir. Se não quer ir, afasta-te tu. Afinal, se uma chama te queima o dedo, tu tiras o dedo certo? Se pensar em algo te deixa angustiado, porque continuas a pensar nisso? Se pensar em algo te deixa feliz e aquece o teu coração, luta por isso! Não meças tanto os prós e contras pois raramente as coisas acontecem como prevemos. Perfeição não existe por isso, deixa algumas coisas passarem ao lado. Se é senso comum, então porque não o aplicas na tua vida? 


 (to be continued)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Nao ha mar sem terra...

Figueirinha. Passeio sozinha pela língua de areia que se forma quando a maré baixa. Enquanto caminhava para là, tive que atravessar o mar que corta a língua em pequenas ilhotas! 


Ao atravessar sozinha esse mar, uma e outra vez para chegar à ponta da língua, eu sentia medo e dor. Medo da corrente ser forte e me levar, medo de que ninguém me ajudasse caso isso acontecesse pois estava ali sozinha, medo de nao ter as capacidades necessárias para atravessar aquele mar sem ajuda, medo que a maré subisse demasiado rápido impedindo o meu regresso e deixando-me para sempre ali sozinha. Dor nos pés e nas pernas de tao fria que a agua estava. Dor fisica, desconfortavel, que me fazia praticamente evitar  o regresso! Estava disposta a ficar ali, presa, so para evitar a dor e a confrontação com os meus próprios medos!

Estava ali, na ponta da lingua, sozinha e por isso desconfortável. Mas a dor e o medo de atravessar eram igualmente incómodos e por isso, e se nao fosse por uma questão de sobrevivência, eu teria ficado ali, presa, ao invés de avançar! Porque avançar , sabendo que a travessia vai ser assustadora e dolorosa, nao é facil. O que nos faz avançar é saber que, ao fazê-lo, chegaremos a terra firme, a um porto seguro, à nossa toalha e chapéu de sol.


Na vida é identico, apenas nem sempre avistamos esse porto seguro. Andamos por vezes ali meio à deriva, sabendo no entanto que eventualmente acabaremos por alcançar terra firme; que basta para isso continuar a avançar, sempre! A terra firme esta la, à nossa espera certamente. Nao ha mar sem terra! Resta-nos enfrentar o medo e a dor dessas aguas geladas e correntes fortes, atravessar por elas dentro, impedindo-as de nos prenderem numa ilha prestes a ser inundada, onde nos sentimos desconfortáveis e onde nao queremos, no fundo, permanecer!

domingo, 10 de junho de 2012

Num misto de melancolia e liberdade...

Sentada no banco do acompanhante, vou absorvendo a paisagem! A estrada recta corta kilometros de planicie. Prados pintados de bege anunciam a chegada do calor do Verao. Chaparros. Vacas e cavalos passeiam-se pelos pastos secos. Volta e meia, um cartaz anunciando nomes como "Rouxinol", "Telles" ou "Bastinhas" para mais uma tourada. É Ribatejo!

Chegamos finalmente ao destino. Silencio! Passagem pelo cemiterio. Uma boa maneira de saber se ela ainda esta viva. Procuramos a campa do marido. A fotografia dele permanece ali e ao lado dela, um espaço em branco! O meu coraçao sorri. Isso quer dizer que ela ainda vive.

Chegamos a nossa rua. Primeira casa, Maria Branca. Vazia. Nao ha sombra de vida. Nao vejo a Estrela, a egua. Nao vejo o cao ladrando e correndo. A vinha, abandonada. Deve ter morrido, penso.
Segunda casa, a dela. Caiu mais uma parte do telhado mas uma boa parte permanece ainda de pe, o que me faz de novo sorrir o coraçao. Vejo os cavalos, mas nao sao os mesmos que conhecera no passado. Procuro o cao. Nada. As cabras. Nada. As vacas. Nem sombra. Olho o portao. Ainda é o mesmo. Tento abrir. Esta trancado. Tenho vontade de pular por cima, como fizera outras vezes. Mas ja nao sou mais criança. E quando ja nao se é criança, ha coisas que ja nao nos sao permitidas. Os contadores da agua foram retirados. Ninguém ja vive ali. Meu coraçao se entristece.
Terceira casa, a nossa. Os portoes sao os mesmos que abri e fechei tantas outras vezes. Olho com atençao e vejo que um deles nao tem cadeado. Quero entrar, quero mesmo, mas nao posso. Ja nao é mais a minha propriedade. Procuro o Alcacer e o Dack, mesmo sabendo que ja la nao se encontram. E as casotas? Também nao. O meu jardim deu lugar a uma piscina, mas nao consigo ver bem! Como gostava de poder entrar e ver melhor! O galinheiro ainda la esta, mas as galinhas nao. As arvores de fruto cresceram e dao lindos frutos. O meu coraçao sorri de novo! A fachada permanece igual. Apenas lhe mudaram a cor. Continua sendo o "Monte Pedra Branca". A mesa esta exactamente no mesmo local onde a deixamos. O mesmo para o banco de jardim. O barbecue. O toldo. Os vasos. Os potes. Ha oito anos que estes objectos permanecem no sitio onde os deixamos. Meu coraçao se entristece. Como amava tanto tudo isto!
Preciso de caminhar sozinha. Deixo-os para tras e sigo a estrada. Quarta casa. Maria Felismina. Nem sombra, nem dela, nem dos netos. Amei tanto o Henrique. De olhos pequeninos, bochecas rosadinhas e labios que pareciam pintados, ele imitava com 4 anos, um forcado preparando-se para a pega! Era um ribatejano em miniatura! Uma delicia! Faço contas. Ja deve ter 17 anos. E o meu coraçao se entristece de novo!
Continuo. Maria Eliziaria. Sim, parece que ainda por la esta. Mas nem sombra do cao. Nem dos gatos. Maria Rosa. Nada. Ninguém. Dizem-me que morreu.
Nao quero continuar mais. A parte mais importante de tudo aquilo nao existia mais! As gentes que eu amava, os animais que eu acarinhava, os terrenos outrora cultivados... nada existe mais hoje!

Pegamos no carro. Passamos pelo cafe da aldeia. Fechado. Para venda. Triste. Vou à procura de informaçoes dela em casa do seu filho. Nao esta ninguém em casa, mas avisto-o na vinha. Pergunto se posso falar com ele. Diz que sim e aproxima-se. Ja de perto, pergunta "É a Sofia?". O meu coraçao sorri! Ja la vao oito anos e ele recorda-se de mim! Alegria! Diz que a mae esta boazinha, que vive em casa da outra filha, que tem 85 anos e da-me o numero de télémovel para que a possa contactar. Oito anos depois vou poder ligar à minha avo Custodia e mostrar-lhe que nunca me esqueci dela. Nao poderia! E vou ligar-lhe muitas vezes, mesmo da Suiça! Sera minha maneira de agradecer todo o amor que me deu durante tantos anos! Consigo sentir o seu cheiro... Amo-a ainda tanto!

Regressamos a casa. Peço para ir no banco de tras. Preciso de estar sozinha! Despeço-me da paisagem ribatejana com o coraçao apertado. A banda sonora é um fado, que contribui para a melancolia e saudosismo que vou sentindo! Tenho Portugal no sangue, nao ha nada a fazer contra isso...

Sou apologista de revisitar volta e meia o passado. Acredito que isso nos permite fechar definitivamente algumas gavetas que permaneceram entreabertas. Ao visitar o meu monte, percebi que amei o que ele outrora foi, nao o que é hoje. Que fui feliz, muito feliz, num lugar e tempo que nao existem mais. Pude despedir-me e é pouco provavel que la regresse novamente. Ja nao faz mais sentido.

No bolso, o numero de telemovel da minha avo Custodia. No coraçao, a certeza de que arrumei mas uma gaveta e posso finalmente fecha-la para sempre.

Hoje larguei amarras de mais um pouco do passado. E é por isso que hoje estou nisto, num misto de melancolia e sentimento bom de liberdade...


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Num misto de sabotagem e fé...

O ultimo mês tem sido aparentemente pouco movimentado! Nada de yoga, meditaçao nem vê-la, oraçao muito pouca! Sinto falta de ler e sinto falta de escrever e de encontrar inspiraçao para tal! Sabia que por Bali tudo seria mais facil, sabia que por ca a sabotagem seria mais forte...

(Meditaçao e Gratidao em Ubud, Bali)

Mas simultaneamente, muito se passa... Se algumas certezas foram alcançadas com a ajuda desta viagem, outras questões surgiram! A diferença é o meu actual poder de relativizar, de aceitar que por agora é assim, de acreditar que preciso de passar exactamente pelas experiências que estou a viver para evoluir, para aprender exactamente aquilo que devo aprender, que o tempo trará as respostas no tempo devido. Tudo isto contribui para uma serenidade que antes nao possuía, uma calma de espirito que me diz apenas para continuar tentando ser melhor e um sentimento de gratidão sempre presente!

(Povo balinense sempre agradecendo!)

Sinto-me mais forte, mais independente, mais capaz... Sou capaz de cuidar de mim própria, sou capaz de decidir por mim e nao preciso de ninguém para me pegar na mao e me levar là, onde quero ir! Sou capaz de disfrutar da minha própria companhia sem sentir qualquer solidão! Em suma, sou capaz de ser feliz comigo própria e a minha felicidade esta hoje menos dependente de condições externas ou de outras pessoas na minha vida! Hoje sinto bem forte tudo isto e pois que sinto, SEI!

(Descomplicando, de sorriso nos labios e maos cheias de oferendas de gratidao!)

E toda esta segurança, toda esta certeza, esta provocando um shift profundo e significante na minha maneira de ver e planear a minha vida! Reflexões sao feitas sobre papeis que outrora assumi e que hoje nao me correspondem mais e se por um lado receio o que por ai possa vir, por outro lado sei que o que for, assim o sera, para o meu melhor!

E ja vos disse que em Bali encontrei fé?

(Kanaia, "my" little boy and his beautiful mom!)

domingo, 27 de maio de 2012

1 mês depois... (do regresso)

Quando se regressa de uma viagem como aquela que fiz, é bom que se tenha uma resposta preparada para dar às pessoas que reencontramos e que nos perguntarao "Entao, o que aprendeste? Encontraste as respostas que procuravas?". Algumas pessoas receavam que viesse decidida a deixar a Suiça, outras ansiavam que eu regressasse pronta a largar a profissao e a iniciar uma carreira numa outra area completamente diferente... Por isso, nestas ultimas três semanas, tentando responder ao que me tem sido perguntado, acabei por formular a grande resposta, que tardara em chegar!

Qual foi realmente o grande resultado desta viagem? Re-encontrei fé.

Quando revivo o mês de Abril, apercebo-me que jamais senti solidao. Nao desesperei, nao chorei, nao tive medo de estar so, nao tive medo de caminhar ou pedalar por caminhos desconhecidos, nao receei os rostos diferentes do povo balinense, nao temi a barreira linguistica e fiz tanta, mas Tanta coisa que nunca pensara conseguir fazer "sozinha"!
Sei, sinto, que nunca estive realmente sozinha. Nao estive, asseguro-vos! Algo, ou Alguém, tomou conta de mim, protegeu-me e ajudou-me a encontrar os sítios, as pessoas e as coisas que eu precisava encontrar! Se a palavra "Deus" me era antes difícil, nestas ultimas semanas tornou-se mais fácil e a meditação começou a deixar mais espaço à oração! Tem sido com esta que me tenho mantido conectada, que me tenho sentido próxima das emoções sentidas em Bali. Segurança, confiança, serenidade...

Algumas peças encaixam-se no puzzle, enquanto outras permanecem ali de lado, esperando que eu capte the big picture!

Estes quatro anos na Suiça têm sido duros; o pais e o emprego levantaram questoes em mim que eu nunca antes colocara! Graças a esta experiência, eu abri-me à espiritualidade, terreno por desbravar! Explorei diversas terapias, participei em workshops de desenvolvimento pessoal, vi dezenas de filmes e documentarios e li ums dezenas de livros de auto-ajuda, encontrei pessoas com quem tive conversas interessantissimas e viajei para Bali. Tudo isto porque estou aqui e porque tenho este emprego! Portanto, nao apagaria de forma alguma estes quatro anos da minha vida, nao deixaria (se houvesse essa possibilidade!) de vir para ca e fazer o que faço... porque tudo aquilo que tenho aprendido através  desses filmes, livros e pessoas maravilhosas que me têm surgido no caminho, TEM VALIDO MUITO A PENA!

E a viagem (so agora) re-começou...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

1 mês depois...

A um dia de iniciar o meu regresso, começo interiormente a fazer o balanço desta viagem e a questionar-me sobre o impacto que esta tera no meu quotidiano!

Internet.

Sou uma addicted!  Posso passar horas percorrendo blogs, viajando no youtube ou cuscando no facebook. Algumas vezes, porque gosto realmente da acessibilidade gratuita à informação que ela nos proporciona. Outras vezes, a maior parte delas, funciona como um escape, uma maneira de fugir à realidade, nao porque esta seja mà, mas porque exige que eu seja activa. E embora no final de um dia de trabalho me pareça mais fácil ceder à passividade do que enfrentar activamente a realidade, apercebi-me neste quase-um-mês de viagem de que o isolamento nao compensa! Que ao enfrentar a realidade, ao tentar gerir as experiências com as quais sou confrontada, ao expôr-me, ao abrir-me, sinto mais, aprendo mais, conheço mais e por isso vivo mais! 
No meu regresso a casa, desejo ceder menos a essa passividade e viver mais, o que quer dizer, menos horas sentada em frente ao ecra do computador e mais horas dedicadas ao lar, aos amores e amigos, a mim propria!

desCOMPLICAR.

Em Ubud fui conhecer Jelila, uma terapeuta holistica de renome internacional. Leitura da aura com base na cor dos chakras, um mundo completamente novo e misterioso para mim! No meio de muita informaçao que me foi lançada, uma delas fez particularmente sentido na minha historia. Quando tudo corre bem, quando tudo flui sem obstáculos, eu tenho que procurar e eventualmente criar um problema! é a minha faceta revolucionaria que me diz que tenho que estar sempre a lutar por alguma coisa! Mas nao tenho... E realmente é verdade, tenho tendência a complicar a minha vida de muitas maneiras: ou porque tenho preguiça, ou porque nao quero desconforto, ou porque tenho medo, ou porque nao quero gastar dinheiro, ou porque tenho orgulho, ou porque nao quero perder poder... a verdade é que passo os meus dias a complicar tudo e mais alguma coisa. O resultado é uma fadiga psiquica intensa que me atira para o fundo do "bac"!
No meu regresso a casa, desejo aprender a desCOMPLICAR. Quero aproveitar o tempo que me é concedido neste Terra da melhor forma, nao quero desperdiçar tempo nem energia com coisas que nao têm assim tanta importância! Como ja aqui escrevi noutro post, muitas coisas nao passam de pequeníssimos detalhes que nao nos matam nem ferem gravemente!

Meditação e oração.

Uma semana em Kuta sem um único momento de meditação e sinto-me regressar aos dias que antecederam a viagem: cabeça cheia, "visão" destorcida da realidade resultando numa fraca clareza de espirito e numa tempestade de emoções... Sinto falta do "espaço" que se cria no espirito depois de um momento de meditação, da leveza que lhe é consequente e da paz que se sucede! 
No meu regresso a casa, desejo meditar diariamente, logo pela manha, para enfrentar o dia de uma maneira nao tao séria, mais descontraída, com mais sorrisos, com menos medo e menos stress.
Oraçao. Ao conversar com o Dr Theja, percebi que a diferença entre meditação e oração nao é assim tao grande e que os efeitos no espirito sao semelhantes! A divergência situa-se no facto da oração ser dirigida por pensamentos precisos, tal como enviar amor a alguém (ou pensar com amor em alguém). O livro "Um curso em milagres" chamou igualmente a minha atenção para a oração e apercebo-me de que todos estes eventos geraram em mim a crença ou a fé que procurava! Dou comigo a dizer a mim mesma "Deus te dara as experiências de que precisas para continuares a evoluir!", para logo de seguida uma outra parte de mim (sera ego?) contestar a palavra "Deus" e substitui-la por "Universo"! Sei, com isto, que comecei a acreditar em algo maior, numa energia de amor extremamente poderosa que governa o Universo, mas confesso que a palavra "Deus" me incomoda ligeiramente! Provavelmente porque associo à religião, mais precisamente à religião católica e isso levanta em mim uma série de questões que necessitam resposta! De repente, a necessidade de fazer a preparaçao (como lhe chamam!) para ser baptizada pela igreja católica (PARA PODER SER MADRINHA DE CASAMENTO DE UMA GRANDE AMIGA!) nao me parece uma ideia nada ma! Uma oportunidade para colocar as questões que possuo e discutir de termos como estes, "Deus" e "Universo".
No meu regresso a casa, desejo dirigir-me finalmente àquela igreja católica da cidade e informar-me sobre tudo o que preciso de fazer para me preparar para o baptismo. E se houver baptismo, o pessoal que se prepare, porque vai haver festa! 

Dialogar.

La em casa, temos tendência a fazer as nossas refeiçoes ao mesmo tempo que devoramos séries de TV. Repetindo padroes aprendidos na infância apercebo-me de que um padrao aparentemente pouco importante, pode tornar-se num habito familiar que se transforma  num problema na vida de muitos casais e familias: nao ha dialogo, nao ha comunicaçao, nao ha interesse pela vida dos que mais amamos, nao ha interacçao, existe apenas uma comunhao de espaços e bens! 
No meu regresso a casa, desejo que os momentos passados em torno da mesa sejam momentos de interacçao! Que saboreemos o momento, que estejamos presentes ali e nao numa qualquer série de TV ou telejornal; que discutamos sobre nao-importa-o-quê, mas que haja vida em torno da mesa! Living in the moment!

Gratidao. 

Ao longo desta viagem, comecei a cultivar este sentimento e senti-o crescer! Eu sei que isto pode parecer  poético ou seja la o que for, mas é exactamente o que sinto! Quando inicei a minha viagem, tinha noçao de que tinha tudo aquilo de que precisava no meu dia-a-dia e mais ainda, mas nao conseguia sentir qualquer gratidao. Aqui, aprendi a sentir gratidao mesmo estando longe dos que mais amo, longe do conforto e higiene a que estou habituada! Houve alturas em que quis adiar, dizendo-me que quando regressasse a casa logo sentiria gratidao, mas que aqui, com agua fria, sem lavatorio, sem papel higienico e sem toalha para me limpar ao sair do duche, com osgas, baratas e bichao à mistura, era demasiado dificil! Mas nao foi! Contrariamente ao que possam pensar, tem sido mais dificil sentir gratidao na minha vida europeia do que aqui! Anyway, cheguei a um ponto aqui em que nao preciso de mais nada para me sentir feliz. é claro que se tivesse aqui as pessoas que mais amo, seria ainda mais saboroso, mas nao dependo disso para me sentir bem! Estou num qualquer restaurante de kuta, a lua à minha frente e uma banda atras de mim a tocar a musica "Let it be, let it be" dos Beatles. Sinto uma gratidao indescritivel dentro de mim: "Thank you, thank you, thank you! Por me permitir viver este momento em plena saude, Nesta minha vida em Terra!"
No meu regresso a casa, desejo realizar diariamente a minha lista de gratidao, relembrando momentos pelos quais me sinto ou me devo sentir grata! Comecei a fazer isso em Ubud e é incrivel como de dia para dia, esses momentos começaram a crescer em numero! A verdade é que comecei a sentir gratidao em momentos que antes me pareciam banais e o resultado é que começo a perceber o quao afortunada sou!

Fui até à praia recolher areia para uma amiga e despedir-me da ilha! What a great month! Obrigada por tudo, obrigada por me ter protegido, obrigada pelas liçoes de amor! Vim à procura de magia no exterior e encontrei fé dentro de mim! E agora... let the journey begins!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A derradeira prova

Bom, Kuta nao tem absolutamente NADA de espiritual! Entre um transito caotico, resorts e spas, centros comerciais, comida "de plastico" e uma praia deliciosa mas apenas para os surfistas (porque entrar num mar daqueles é semelhante a uma lavagem na maquina de lavar a roupa!), o meu humor começa a dar sinais de si!

 Hoteis de luxo...

 Centros comerciais com acesso ao mar...

 Lojas e mais lojas...

O paraiso do surf...

Encaremos esta semana em Kuta como o exame final! Conseguirei eu meter em pratica todas as aprendizagens feitas em Ubud agora que estou num espaço menos "fácil", menos propicio?  E digo-vos honestamente que a coisa nao esta fácil!!!

Meditação, que supostamente deveria acontecer todos os dias, nao tem acontecido! O meu ego, mestre da sabotagem, arranja todas as desculpas e mais algumas para evitar ser dominado: que o quarto é pequeno, que nao tem um espaço propicio para meditar, que la fora ha muita gente, que as pessoas vao olhar para mim e por ai fora... num desenrolar de argumentos que me têm persuadido de continuar uma rotina que se vinha instalando! Depois, continuando a sabotagem, diz-me que na Suíça ai sim, que vou ter todas as condições para o fazer e que o vou fazer, todos os dias... bla, bla, bla! Eu reconheço a sabotagem, eu identifico-a, mas nao tenho conseguido ultrapassa-la!!! Shame on me!

Velhos padrões de comportamento re-aparecem e em grande força! 

Agora que estou num lugar que considero menos propicio à minha pratica espiritual, começam as desculpas: que a culpa é do lugar, que se eu nao estou bem é por causa desta gente toda, destes centros comerciais e deste transito caótico! é sempre mais fácil culpar o exterior ao invés de aceitar que estamos a fazer uma escolha, estamos ou melhor, estou a escolher sentir-me menos bem, estou a escolher focar-me nas coisas que se passam fora de mim, estou a escolher... errado!

E quando começo a responsabilizar o exterior pelo meu estado de humor, começa a decadência! Considerando que o "mal" esta no exterior, espero que a "cura" venha igualmente de là! E entao espero que tomem conta de mim, que alguém me "salve", que alguém me ajude (porque depois de um mês de viagem sozinha, nao sou auto-suficiente!?). Carências afectivas re-aparecem e com elas velhos padrões de comportamento! Geram-se discussões e surgem lagrimas de desespero: preciso de salvação!

Ter consciência de tudo isto nao é fácil, mas menos fácil ainda é assumir, assumir que se tem fraquezas... o ego detesta isso, ele tem uma imagem a defender e é por isso que se gera um forte conflito interno entre aquilo que somos verdadeiramente e aquilo que o ego deseja mostrar como imagem do que somos! 

Respirei e assumi, com alguma dificuldade mas assumi! Assumi as minhas fraquezas tirando poder ao ego e assim encontrei de novo espaço dentro de mim para fazer uma escolha... certa!

E nisto, vem-me à memoria um episodio ocorrido em Ubud. Num dos muitos trajectos em bicicleta pelas ruas da vila, resolvi parar e entrar numa loja de roupa de yoga. Ao entrar, apercebo-me de que varias pessoas se encontram num dos cantos da loja, aparentemente atarefadas com alguma coisa. Passeio-me pela loja, tocando em algumas peças, ignorando outras até que cheguei ao local onde se encontrava o tal grupo de pessoas. Observo mais atentamente e apercebo-me de que elas estavam realmente atarefadas com alguma coisa... estavam a tentar salvar a vida de um homem, que ali mesmo, naquele canto daquela loja, sofrera uma paragem cardíaca! Reparo que uma rapariga faz a massagem cardíaca, para logo de seguida ser substituída por um homem que continua a operaçao. E nisto oiço-o dizer "Let's stop. He's dead! ". Sai da loja correndo, peguei na bicicleta e pedalei dali para fora completamente transtornada! 

Nunca falei sobre tal episodio no blog porque nao conseguira perceber porque é que eu entrara precisamente Naquela loja, Naquele momento? Qual era afinal o sentido de tudo aquilo?

Estou em Kuta, a gozar os meus últimos dias de férias, mas sei que nao posso dar por garantido o meu regresso a casa. Ha tanta coisa que pode acontecer até là... Por isso, escolhi viver o momento presente, sem garantias de que o amanha vira, porque garantias dessas ninguém as tem! Tenho comigo tudo aquilo de que preciso para estar bem, nao me falta ABSOLUTAMENTE nada e embora nao tenha aqui ao lado as pessoas que mais amo neste mundo, tenho-as à distancia de um ecra de computador (Gratidão pela internet e pelo skype!). E por isso tudo eu escolho sentir-me bem e feliz! Eu escolho!

E foi assim que vivi o dia de ontem, que viverei o dia de hoje e quem sabe, o dia de amanha! O Universo esta a por-me à prova: serei eu ainda dependente das condiçoes externas para ser feliz ou terei aprendido definitivamente que a felicidade so depende de mim?

Final do dia na praia.

Maravilhoso pôr-do-sol numa praia perto de Kuta.