quinta-feira, 1 de maio de 2014

Hora de mudança!

A águia é a ave com a maior longevidade da sua espécie, chegando a viver cerca de 70 anos! Porém para chegar a essa idade, por volta dos 40 anos ela necessita tomar uma grande decisao. é que nesta idade, as suas unhas estão de tal forma compridas e flexíveis que ela ja nao consegue agarrar as suas presas para se poder alimentar. Também o bico se torna demasiado alongado e curvo. Nessa situação, a águia so tem duas alternativas: deixar-se morrer ou... enfrentar um doloroso processo de renovação que dura cerca de 150 dias!

Esse processo consiste no seguinte: a águia voa para o alto de uma montanha onde se recolhe num ninho feito próximo de um paredao. Nesse lugar, a águia começa a bater com o bico contra o paredao até conseguir arranca-lo, enfrentando de forma corajosa este processo tao doloroso! Espera até nascer um novo bico com o qual arrancara as velhas unhas. E após 5 meses de um recolhimento doloroso, a águia "renasce" para mais 30 anos de vida!

Todo o processo de mudança é um processo de desenvolvimento. Des-envolvimento. O que significa que para nos envolvermos com o novo (no caso da águia, uns novos 30 anos de vida!) precisamos de des-envolver, des-apegar do velho (as velhas unhas, o velho bico!). Claro que des-envolver nao é facil, porque conhecemos muito bem tudo aquilo que vamos "perder", mas nao temos ideia do que vamos ganhar em troca! Para além disso, muitos de nos continuam a viver situações que nao nos fazem feliz mas às quais nos habituámos e que se tornaram portanto confortáveis! E sair da nossa zona de conforto, largando tudo aquilo que conhecemos para nos lançarmos no desconhecido é, concordo, aterrador!

A minha busca incessante pela felicidade, leva-me a querer mudar constantemente coisas em mim, na minha vida, no meu trabalho, nas minhas relaçoes. Diferencio claramente e racionalmente aquilo que me faz feliz daquilo que me da prazer e este, ja dizia um provérbio hindu, "é somente a sombra da felicidade". Porém, nem sempre consigo operar a mudança que tanto almejo ou pelo menos, nao tao rapidamente quanto gostaria! 

Se tu, tal como eu, tens coisas na tua vida que gostarias de mudar, coisas que nao contribuem ao teu projecto de felicidade, lembra-te que a mudança é um processo e nao um episodio. Um processo é composto por varios pequenos passos entao começa com pequenos passos e acumula pequenas vitorias. Estas alimentam o teu espirito dando-te forças para prosseguires no teu proprio caminho. é como um musculo que pretendes tonificar; sao necessarias varias semanas senao mesmo meses de treino para se alcançar o resultado desejado! 

E depois, se fores como eu, vao haver dias em que vais cair, dias em que te dizes "Estava a fazer tudo certo e hoje estraguei tudo!". Nesses momentos, sê indulgente contigo proprio. Na verdade, se conseguisses tudo logo à primeira, o mais certo era nao aprenderes absolutamente nada com a experiência e saires dela tao "burro" quanto quando entraste! O importante é levantar e voltar a acumular pequenas vitorias! Levantar sempre e cair cada vez menos! Isso fortalecer-te-a!

E para terminar quero apenas dizer-te o quanto te admiro, pela coragem que tens de te enxergar com olhos de gente e de assumires que tens coisas em ti e na tua vida que gostarias de fazer diferente, melhor! Benditos sejam os que vivem na vulnerabilidade da autenticidade!

quinta-feira, 27 de março de 2014

Qual é o segredo das pessoas com sorte? Coragem!

- O que é que te impede de impede de dar o primeiro passo? 

- Medo. 

- Medo de quê? 

- De me lançar, sem saber exactamente onde vou! 

- Aaaahh... entao se nao sabes exactamente onde ir, nao sais de onde estas é isso? Pois vou-te contar um segredo. Essa aldeiazinha onde vives chama-se "zona de conforto"! Se queres continuar a viver ai, infeliz mas confortavel, tudo bem, isso é la contigo! Mas depois nao me venhas com merdas dizendo que esperavas mais da vida! Nao te ponhas com mariquices afirmando que os outros têm mais sorte do que tu! Os outros nao têm mais sorte do que tu, os outros têm é CORAGEM! Enquanto tu choras baba e ranho à beira do abismo, os outros saltam, correm o risco, aventuram-se no desconhecido, confiam! Sem mapa ou GPS ou rede de segurança! Ou pensas tu que eles sao almas iluminadas que sabem exactamente onde vao aterrar? Garanto-te minha querida que eles sao tao iluminados quanto tu e eu! Garanto-te que, tal como nos, eles nao sabem porra nenhuma! 


Nao te sentes feliz? Queres mais da vida? Entao SAI FORA!!!
Experimenta! FAZ diferente! Lembra-te que o caminho nao aparece feito, o caminho a gente acha! Lembra-te que a vida nao acontece, a vida a gente inventa! E por favor , POR FAVOR, nao fiques ai chorando com um "ah e tal e se me engano?"! Existe là engano maior que esse de esperar diferente fazendo o mesmo de sempre?! 


domingo, 23 de março de 2014

Como aplicar o Minimalismo nas nossas relações sociais?

Ha dias - e por vezes, vários dias consecutivos - em que as coisas parecem correr todas mal! Esta semana, vivi vários dias assim! Falta de silêncio, de meditação, de oração, falta de alinhamento? Talvez sem duvida!

Uma das situações recorrentes da semana foi a falta de cumprimento de palavra da parte de varias pessoas que fazem parte da minha vida! E eu tenho muita dificuldade em lidar e compreender isso de uma maneira mais espiritual!

Quando varias pessoas combinam algo comigo e que depois nao aparecem sem darem qualquer justificação, eu começo por questionar-me com um "porquê?". Mas o "porquê?" nao conduz a lado algum! O "porquê?" faz-nos entrar numa espiral de ruminação sobre o assunto, uma espiral que nos conduz a um estado em nada positivo e portanto limitante! Por isso, o que tento fazer nessas alturas (e que nao é nada fácil) é substituir o "porquê?" por um "o que é que eu tenho a retirar como aprendizagem desta situação?".

Tantas situaçoes semelhantes acumuladas conduziram-me a um novo ponto de exaustão! E quando sinto essa exaustão, eu agradeço (ou devia agradecer) a Deus porque é uma emoção potente que tem a capacidade de accionar a mudança! Quando me sinto exausta, sou capaz de ser muito honesta comigo própria e ver as coisas com uma clareza brutal!

No meu caso, algumas dessas pessoas que me deixaram "pendurada" já o fizeram outras vezes! E a ai questiono-me sobre a razão pela qual ainda mantemos uma relação que na realidade nao passa de uma relação de conveniência! Apenas nos reencontramos quando um de nos se sente so e nao tem outra companhia, quando um de nos precisa de algo do outro... Enfim,  nao sao relações baseadas em amizade (que é uma forma de amor). Sao relações que se constroem em volta da necessidade, da falta de algo e que por isso, so trazem mais necessidade e carência (lei da atracção funciona mesmo)! é engraçado como quando essas pessoas falham no cumprimento da sua palavra, isso me faz sentir a falta de Amigos, me faz sentir carente emocionalmente, me faz sentir sozinha! Falta, falta, falta! Quando tudo o que eu desejo é abundância, abundância e abundância!

Por isso, ontem foi noite de limpeza! Limpei do meu telemovel números de pessoas com quem tenho supostamente uma relação de amizade mas que nao passam de relações que preenchem vazios, da minha parte ou da outra! é claro que todos nos temos nos nossos contactos pessoas que nos prestam serviços e a quem recorremos quando deles necessitamos, mas eu nao falo dessas pessoas pois com essas temos relações claramente definidas sobre uma base de prestação de serviços! Eu falo daqueles "amigos" a quem no fundo sabemos que nao deveríamos chamar de amigos mas com quem acabamos por o fazer porque, volta e meia, nos da jeito a nos ou a eles!


E isto faz-me pensar no conceito de minimalismo (para os interessados no assunto, tem um blog português muito inspirador aqui). Minimalismo nao é ter uma casa com poucos moveis ou viver com poucos bens materiais! O minimalismo é livrarmo-nos da tralha, da tralha que pesa e prende e que nos impede de avançar e de sermos felizes! Essa tralha nao é apenas material; é igualmente social, mental... Nao me considero uma minimalista, mas adopto cada vez mais alguns principios do minimalismo na minha vida! A limpeza que fiz ontem no meu telemovel foi a aplicação do principio de base do minimalismo: livrarmo-nos da tralha que apenas pesa e que nao traz felicidade autêntica!

Esta na altura de "deixar ir", de desapegar de relações que nao nos servem mais! Acredito que cada pessoa que passa pela nossa vida, vem com um proposito. E muitas vezes apegamo-nos e temos dificuldade em largar, mesmo que esse propósito ja tenha sido cumprido! De repente, ja nao nos divertimos tanto juntos, ja nao passamos tanto tempo juntos, ja nao temos tanto assunto... deixem ir! A minha coach Paula Abreu  dizia "Você pode ficar triste, claro que pode. Mas nao se apegue, deixe ir...".


Por amor a mim, por amor a ti, por amor a nos, eu desapego, eu deixo-te ir e abro assim espaço para o Novo na minha vida, na tua vida, na nossa vida!

Por amor!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Carta a Exaustão (uma grande amiga!)

Cara Exaustão!

Quero agradecer-te por teres surgido na minha vida!


Se nao fosses tu, eu continuaria a carregar em mim o peso do convencional, do adequado, do socialmente correcto, das expectativas alheias! Graças a ti, eu senti que chegou o momento de me livrar dessa tralha, uma tralha pesada de mais para que eu consiga prosseguir no Meu caminho!



Se nao fosses tu, eu nao teria sentido necessidade de me respeitar mais, de ser mais honesta (nao com os outros mas comigo própria!), de me ouvir mais, de SER mais! 


Se nao fosses tu, eu continuaria a fingir que sou sociavel e extrovertida! Ao invés, eu hoje assumo-me como uma pessoa introvertida, que gosta mais de escutar e menos de falar (porque quando falo alguma coisa, é como em tudo o resto, tem que ser para valer!), que gosta mais de estar com uma ou duas pessoas do quem em grandes grupos, que quando sai para dançar, sai apenas para dançar e nao para socializar! 

Por isso, obrigada Exaustão!


Porque se nao fosses tu, eu continuaria a fingir tudo isto e muito mais! Se nao fosses tu, eu continuaria a me culpabilizar por ser QUEM sou e COMO sou! Continuaria a enganar-me a mim propria, a tentar ser diferente daquilo que sou, a fazer coisas contra a minha vontade, a viver em desalinho e em desarmonia!

Se nao fosses tu, eu continuaria demasiado precoupada com a minha reputaçao! Hoje, graças a ti, preocupo-me mais com a minha consciência porque a minha reputaçao é problema dos outros!




Sem o desconforto que me causaste, eu nunca teria olhado tanto ca para dentro e me conhecido melhor! Fizeste de mim um ser humano mais feliz pois graças a ti eu hoje sou mais EU, mais VERDADEIRA ou melhor, MAIS VERDADEIRAMENTE EU!

Graças a ti, eu sou hoje menos vitima do outro, porque a minha necessidade de me respeitar tornou-se maior que a minha necessidade de ser amada!

Por tudo isto Exaustão, minha amiga, eu te acolho de braços abertos! Nao te vejo mais como inimigo a combater porque sei que, de agora em diante, quando tocares à minha porta, sera para me ensinares algo de bastante precioso! Bem como a tua amiga Saudade, a tua irma Tristeza e todas as tuas outras primas Emoções! 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Caminho Faz-se Caminhando!

Ela estava sentada no bar. De copo na mao. So ela e o copo. Olhei para ela. Que classe de mulher! Que fazia ela ali, num dos bares menos chics da cidade? Sozinha? Fui até la e perguntei. 

Hoje fui honesta comigo propria. Honesta o suficiente para perceber que o que me fez ir ao encontro daquela mulher cheia de classe, sozinha num bar, de copo na mao, foi MEDO! Medo de "acabar" assim, com 40 anos, cheia de classe mas sozinha num ambiente que nao "bate" comigo! O que lhe queria mesmo perguntar era onde é que ela errou? 

Hoje fui honesta comigo propria. Honesta o suficiente para assumir que o que me aterroriza é a falta de controle em relaçao ao meu futuro. é pensar que tenho responsabilidade mas nao tenho controle. E é esta impossibilidade de controlar os resultados que me assusta, que me bloqueia e que me impede frequentemente de fazer escolhas. Enquanto nao escolher nada, todas as portas permanecem abertas, nao perco nada. E eu nao gosto de perder, seja o que for!

Hoje fui honesta comigo propria. Honesta o suficiente para perceber que o que me esta e impedir de ser feliz aqui e agora é este medo. Fui largada numa cidade global que é o mundo sem mapa ou gps. Nao sei qual o caminho a seguir para chegar ao destino que almejo. Nao tenho certezas de que fazendo aquele caminho ou aqueleoutro vou bater ao sitio onde quero chegar. E por muitas indicaçoes que va pedindo às pessoas que vou encontrando pelo caminho, cada uma delas me da uma indicaçao diferente, fazendo-me acreditar que cada uma dessas almas tem um caminho so seu! E que eu terei igualmente o meu e so meu! 

Hoje fui honesta comigo propria. Honesta o suficiente para assumir que muitas vezes me achei "especial de corrida", que me achei melhor e mais do que os outros, que julguei que certas coisas so aconteciam aos falhados. Olhei muitas vezes de cima, meti-me muitas vezes num pedestal, sai muitas vezes orgulhosa com a ultima palavra. Achei que ia ganhar sempre, que derrota era coisa de fraco. Até que perdi. Uma e outra e outra vez.  E porque perdi tantas vezes, vi-me forçada a descer alguns degraus do pedestal em que me havia colocado para abraçar pessoas que subvalorizei para me sobrevalorizar. 

Hoje, uma parte de mim sabe que nao sou mais do que tu, que somos todos feitos da mesma carnadura e que temos todos algo a ensinar e a aprender. E porque cai la do alto, a humildade e a compaixão cresceram em mim! 

Hoje estou mais consciente e portanto mais perto da mudança! Sei que a unica forma de se construir um carreiro pelo meio da erva é caminhando, mesmo se sem certezas do que se encontrara pelo percurso. Nao ha um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho. E se posso controlar alguma coisa é isso mesmo, checkar que sigo o meu coraçao em cada passo que vou dando na construçao do meu carreiro. E que na vida, nao existem realmente derrotas visto que mesmo nessas alturas, ha sempre algo a ganhar! 
   

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

We all want to be happy! So why aren't we?


O que é que todos, mas mesmo TODOS os seres humanos têm em comum? Todos nós, ainda que de maneiras diferentes, buscamos a FELICIDADE!

Porque é que algumas pessoas parecem conseguir encontrar a felicidade e outras não? Porque é que algumas pessoas parecem simplesmente atrair para as suas vidas situações felizes enquanto outras parecem acumular problemas em cima de problemas?

Façam um pequeno exercício, não leva mais do que 1 minuto. Peguem numa folha de papel em branco e escrevam nela o vosso maior desejo do momento, aquilo que, a vosso ver, vos traria uma grande parte da felicidade que tanto almejam!

E a maioria de nós vai escrever nessa folha de papel algo que está no nosso exterior. Algo do género: “aquele trabalho”, “aquela relação”, “aquela casa”, “aquele peso”...

Ao olharem para a vossa folha de papel, digam-me o que sentem! Quando lêem “desejo aquela casa”, no que pensam verdadeiramente? Eu dou uma ajuda; provavelmente pensarão, “desejo aquela casa MAS (normalmente há sempre um MAS) é demasiada cara para aquilo que ganho ou que algum dia ganharei” ou então “quero atingir aquele peso MAS sei que vai ser difícil porque já tentei outras vezes e não consegui!” ou ainda “quero ter uma relação feliz MAS de qualquer das maneiras não se pode confiar nos homens/nas mulheres!”.

Aqueles que parecem simplesmente acumular derrotas em cima de derrotas, estão a sabotar aquilo que realmente desejam !

Essa sabotagem passa por acreditarmos que não somos bons o suficiente, que não somos inteligentes o suficiente, que não somos persistentes o suficiente isto é, passa por aquilo que nós acreditamos, no nosso eu mais profundo, sobre nós próprios e sobre o nosso próprio valor.
Mas essa sabotagem passa também por acreditarmos que os outros são cruéis, que as pessoas não são de confiança, que o mundo é um sitio hostil isto é, aquilo que nós acreditamos sobre o mundo e os outros. Estas crenças são o resultado do que nos foi dito, do que nos foi feito, do que vivemos no passado e é com base nessas experiências que criamos crenças que muitas vezes nos limitam no alcance dos nossos maiores objectivos (chamadas crenças limitantes).

Ora aquilo que nós pensamos sobre nós próprios e sobre os outros e o mundo não é, nada mais, nada menos, do que aquilo a que chamamos de AUTO-ESTIMA.

E aqui, muitos de nós confundem dois conceitos bem diferentes: auto-estima e auto-confiança, que apesar de intimamente relacionadas, não são a mesma coisa! A nossa auto-estima depende dos nossos valores e crenças (aquilo em que acreditamos e valorizamos no mundo e nos outros) assim como da nossa identidade (aquilo que pensamos de nós próprios).

Se não estão a obter aquilo que desejam , aquilo que contribui para a vossa felicidade, analisem os pensamentos que estão por detrás desse desejo. No que é que vocês realmente acreditam? Sobre vocês e sobre o mundo? E quando identificarem as crenças limitantes, tentem substitui-las por crenças facilitadoras!
Por exemplo, se nós acreditamos que não teremos sucesso num novo projecto (crença limitante), revejamos na nossa memoria todos os exemplos em que nos iniciámos em algo novo e sucedemos. E se for a primeira vez que nos lançamos em algo de novo? Então significa que a nossa crença está simplesmente errada pois não se baseia em nenhum facto concreto. Se, por exemplo, acreditamos que as pessoas não são de confiança, deveremos pensar em todos os exemplos que conhecemos de pessoas que são realmente de confiança, todos aqueles amigos e amigas que são de confiança e que confirmam simplesmente que a nossa crença esta errada!

O que faz a diferença entre as pessoas que parecem atingir facilmente a felicidade e aquelas que parecem acumular situações difíceis?  É que as primeiras simplesmente acreditam merecerem! 

(to be continued )

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Manifestum!


Não deixes os teus medos te impedirem de seres o melhor que podes ser. Não deixes que cicatrizes do passado te impeçam de viveres a felicidade do presente. Sê fiel a ti próprio. Pensa no que é realmente verdade para ti e segue apenas e somente isso. Dança na rua se assim te apetecer quando tens os phones nos ouvidos. Não te preocupes com o que os outros vão pensar. Isso impedir-te-à de seres livre e feliz. Pensa em ti primeiro, pois o mundo precisa de gente que está bem na sua própria pele. Respeita os outros sendo verdadeiro contigo próprio. Acredita que estás exactamente onde deverias estar. Crê que se algo não faz mais parte da tua vida é porque algo de bem melhor te está reservado. Se acreditas em Deus e rezas, pede-lhe o que desejas para ti e de seguida acrescenta "ou algo melhor ainda" pois nem sempre aquilo que desejamos é realmente o melhor para nós. Faz todos os dias pelo menos uma coisa que te assuste. Se algo te faz mal, deixa ir. Se não quer ir, afasta-te tu. Afinal, se uma chama te queima o dedo, tu tiras o dedo certo? Se pensar em algo te deixa angustiado, porque continuas a pensar nisso? Se pensar em algo te deixa feliz e aquece o teu coração, luta por isso! Não meças tanto os prós e contras pois raramente as coisas acontecem como prevemos. Perfeição não existe por isso, deixa algumas coisas passarem ao lado. Se é senso comum, então porque não o aplicas na tua vida? 


 (to be continued)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Nao ha mar sem terra...

Figueirinha. Passeio sozinha pela língua de areia que se forma quando a maré baixa. Enquanto caminhava para là, tive que atravessar o mar que corta a língua em pequenas ilhotas! 


Ao atravessar sozinha esse mar, uma e outra vez para chegar à ponta da língua, eu sentia medo e dor. Medo da corrente ser forte e me levar, medo de que ninguém me ajudasse caso isso acontecesse pois estava ali sozinha, medo de nao ter as capacidades necessárias para atravessar aquele mar sem ajuda, medo que a maré subisse demasiado rápido impedindo o meu regresso e deixando-me para sempre ali sozinha. Dor nos pés e nas pernas de tao fria que a agua estava. Dor fisica, desconfortavel, que me fazia praticamente evitar  o regresso! Estava disposta a ficar ali, presa, so para evitar a dor e a confrontação com os meus próprios medos!

Estava ali, na ponta da lingua, sozinha e por isso desconfortável. Mas a dor e o medo de atravessar eram igualmente incómodos e por isso, e se nao fosse por uma questão de sobrevivência, eu teria ficado ali, presa, ao invés de avançar! Porque avançar , sabendo que a travessia vai ser assustadora e dolorosa, nao é facil. O que nos faz avançar é saber que, ao fazê-lo, chegaremos a terra firme, a um porto seguro, à nossa toalha e chapéu de sol.


Na vida é identico, apenas nem sempre avistamos esse porto seguro. Andamos por vezes ali meio à deriva, sabendo no entanto que eventualmente acabaremos por alcançar terra firme; que basta para isso continuar a avançar, sempre! A terra firme esta la, à nossa espera certamente. Nao ha mar sem terra! Resta-nos enfrentar o medo e a dor dessas aguas geladas e correntes fortes, atravessar por elas dentro, impedindo-as de nos prenderem numa ilha prestes a ser inundada, onde nos sentimos desconfortáveis e onde nao queremos, no fundo, permanecer!

domingo, 10 de junho de 2012

Num misto de melancolia e liberdade...

Sentada no banco do acompanhante, vou absorvendo a paisagem! A estrada recta corta kilometros de planicie. Prados pintados de bege anunciam a chegada do calor do Verao. Chaparros. Vacas e cavalos passeiam-se pelos pastos secos. Volta e meia, um cartaz anunciando nomes como "Rouxinol", "Telles" ou "Bastinhas" para mais uma tourada. É Ribatejo!

Chegamos finalmente ao destino. Silencio! Passagem pelo cemiterio. Uma boa maneira de saber se ela ainda esta viva. Procuramos a campa do marido. A fotografia dele permanece ali e ao lado dela, um espaço em branco! O meu coraçao sorri. Isso quer dizer que ela ainda vive.

Chegamos a nossa rua. Primeira casa, Maria Branca. Vazia. Nao ha sombra de vida. Nao vejo a Estrela, a egua. Nao vejo o cao ladrando e correndo. A vinha, abandonada. Deve ter morrido, penso.
Segunda casa, a dela. Caiu mais uma parte do telhado mas uma boa parte permanece ainda de pe, o que me faz de novo sorrir o coraçao. Vejo os cavalos, mas nao sao os mesmos que conhecera no passado. Procuro o cao. Nada. As cabras. Nada. As vacas. Nem sombra. Olho o portao. Ainda é o mesmo. Tento abrir. Esta trancado. Tenho vontade de pular por cima, como fizera outras vezes. Mas ja nao sou mais criança. E quando ja nao se é criança, ha coisas que ja nao nos sao permitidas. Os contadores da agua foram retirados. Ninguém ja vive ali. Meu coraçao se entristece.
Terceira casa, a nossa. Os portoes sao os mesmos que abri e fechei tantas outras vezes. Olho com atençao e vejo que um deles nao tem cadeado. Quero entrar, quero mesmo, mas nao posso. Ja nao é mais a minha propriedade. Procuro o Alcacer e o Dack, mesmo sabendo que ja la nao se encontram. E as casotas? Também nao. O meu jardim deu lugar a uma piscina, mas nao consigo ver bem! Como gostava de poder entrar e ver melhor! O galinheiro ainda la esta, mas as galinhas nao. As arvores de fruto cresceram e dao lindos frutos. O meu coraçao sorri de novo! A fachada permanece igual. Apenas lhe mudaram a cor. Continua sendo o "Monte Pedra Branca". A mesa esta exactamente no mesmo local onde a deixamos. O mesmo para o banco de jardim. O barbecue. O toldo. Os vasos. Os potes. Ha oito anos que estes objectos permanecem no sitio onde os deixamos. Meu coraçao se entristece. Como amava tanto tudo isto!
Preciso de caminhar sozinha. Deixo-os para tras e sigo a estrada. Quarta casa. Maria Felismina. Nem sombra, nem dela, nem dos netos. Amei tanto o Henrique. De olhos pequeninos, bochecas rosadinhas e labios que pareciam pintados, ele imitava com 4 anos, um forcado preparando-se para a pega! Era um ribatejano em miniatura! Uma delicia! Faço contas. Ja deve ter 17 anos. E o meu coraçao se entristece de novo!
Continuo. Maria Eliziaria. Sim, parece que ainda por la esta. Mas nem sombra do cao. Nem dos gatos. Maria Rosa. Nada. Ninguém. Dizem-me que morreu.
Nao quero continuar mais. A parte mais importante de tudo aquilo nao existia mais! As gentes que eu amava, os animais que eu acarinhava, os terrenos outrora cultivados... nada existe mais hoje!

Pegamos no carro. Passamos pelo cafe da aldeia. Fechado. Para venda. Triste. Vou à procura de informaçoes dela em casa do seu filho. Nao esta ninguém em casa, mas avisto-o na vinha. Pergunto se posso falar com ele. Diz que sim e aproxima-se. Ja de perto, pergunta "É a Sofia?". O meu coraçao sorri! Ja la vao oito anos e ele recorda-se de mim! Alegria! Diz que a mae esta boazinha, que vive em casa da outra filha, que tem 85 anos e da-me o numero de télémovel para que a possa contactar. Oito anos depois vou poder ligar à minha avo Custodia e mostrar-lhe que nunca me esqueci dela. Nao poderia! E vou ligar-lhe muitas vezes, mesmo da Suiça! Sera minha maneira de agradecer todo o amor que me deu durante tantos anos! Consigo sentir o seu cheiro... Amo-a ainda tanto!

Regressamos a casa. Peço para ir no banco de tras. Preciso de estar sozinha! Despeço-me da paisagem ribatejana com o coraçao apertado. A banda sonora é um fado, que contribui para a melancolia e saudosismo que vou sentindo! Tenho Portugal no sangue, nao ha nada a fazer contra isso...

Sou apologista de revisitar volta e meia o passado. Acredito que isso nos permite fechar definitivamente algumas gavetas que permaneceram entreabertas. Ao visitar o meu monte, percebi que amei o que ele outrora foi, nao o que é hoje. Que fui feliz, muito feliz, num lugar e tempo que nao existem mais. Pude despedir-me e é pouco provavel que la regresse novamente. Ja nao faz mais sentido.

No bolso, o numero de telemovel da minha avo Custodia. No coraçao, a certeza de que arrumei mas uma gaveta e posso finalmente fecha-la para sempre.

Hoje larguei amarras de mais um pouco do passado. E é por isso que hoje estou nisto, num misto de melancolia e sentimento bom de liberdade...


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Num misto de sabotagem e fé...

O ultimo mês tem sido aparentemente pouco movimentado! Nada de yoga, meditaçao nem vê-la, oraçao muito pouca! Sinto falta de ler e sinto falta de escrever e de encontrar inspiraçao para tal! Sabia que por Bali tudo seria mais facil, sabia que por ca a sabotagem seria mais forte...

(Meditaçao e Gratidao em Ubud, Bali)

Mas simultaneamente, muito se passa... Se algumas certezas foram alcançadas com a ajuda desta viagem, outras questões surgiram! A diferença é o meu actual poder de relativizar, de aceitar que por agora é assim, de acreditar que preciso de passar exactamente pelas experiências que estou a viver para evoluir, para aprender exactamente aquilo que devo aprender, que o tempo trará as respostas no tempo devido. Tudo isto contribui para uma serenidade que antes nao possuía, uma calma de espirito que me diz apenas para continuar tentando ser melhor e um sentimento de gratidão sempre presente!

(Povo balinense sempre agradecendo!)

Sinto-me mais forte, mais independente, mais capaz... Sou capaz de cuidar de mim própria, sou capaz de decidir por mim e nao preciso de ninguém para me pegar na mao e me levar là, onde quero ir! Sou capaz de disfrutar da minha própria companhia sem sentir qualquer solidão! Em suma, sou capaz de ser feliz comigo própria e a minha felicidade esta hoje menos dependente de condições externas ou de outras pessoas na minha vida! Hoje sinto bem forte tudo isto e pois que sinto, SEI!

(Descomplicando, de sorriso nos labios e maos cheias de oferendas de gratidao!)

E toda esta segurança, toda esta certeza, esta provocando um shift profundo e significante na minha maneira de ver e planear a minha vida! Reflexões sao feitas sobre papeis que outrora assumi e que hoje nao me correspondem mais e se por um lado receio o que por ai possa vir, por outro lado sei que o que for, assim o sera, para o meu melhor!

E ja vos disse que em Bali encontrei fé?

(Kanaia, "my" little boy and his beautiful mom!)

domingo, 27 de maio de 2012

1 mês depois... (do regresso)

Quando se regressa de uma viagem como aquela que fiz, é bom que se tenha uma resposta preparada para dar às pessoas que reencontramos e que nos perguntarao "Entao, o que aprendeste? Encontraste as respostas que procuravas?". Algumas pessoas receavam que viesse decidida a deixar a Suiça, outras ansiavam que eu regressasse pronta a largar a profissao e a iniciar uma carreira numa outra area completamente diferente... Por isso, nestas ultimas três semanas, tentando responder ao que me tem sido perguntado, acabei por formular a grande resposta, que tardara em chegar!

Qual foi realmente o grande resultado desta viagem? Re-encontrei fé.

Quando revivo o mês de Abril, apercebo-me que jamais senti solidao. Nao desesperei, nao chorei, nao tive medo de estar so, nao tive medo de caminhar ou pedalar por caminhos desconhecidos, nao receei os rostos diferentes do povo balinense, nao temi a barreira linguistica e fiz tanta, mas Tanta coisa que nunca pensara conseguir fazer "sozinha"!
Sei, sinto, que nunca estive realmente sozinha. Nao estive, asseguro-vos! Algo, ou Alguém, tomou conta de mim, protegeu-me e ajudou-me a encontrar os sítios, as pessoas e as coisas que eu precisava encontrar! Se a palavra "Deus" me era antes difícil, nestas ultimas semanas tornou-se mais fácil e a meditação começou a deixar mais espaço à oração! Tem sido com esta que me tenho mantido conectada, que me tenho sentido próxima das emoções sentidas em Bali. Segurança, confiança, serenidade...

Algumas peças encaixam-se no puzzle, enquanto outras permanecem ali de lado, esperando que eu capte the big picture!

Estes quatro anos na Suiça têm sido duros; o pais e o emprego levantaram questoes em mim que eu nunca antes colocara! Graças a esta experiência, eu abri-me à espiritualidade, terreno por desbravar! Explorei diversas terapias, participei em workshops de desenvolvimento pessoal, vi dezenas de filmes e documentarios e li ums dezenas de livros de auto-ajuda, encontrei pessoas com quem tive conversas interessantissimas e viajei para Bali. Tudo isto porque estou aqui e porque tenho este emprego! Portanto, nao apagaria de forma alguma estes quatro anos da minha vida, nao deixaria (se houvesse essa possibilidade!) de vir para ca e fazer o que faço... porque tudo aquilo que tenho aprendido através  desses filmes, livros e pessoas maravilhosas que me têm surgido no caminho, TEM VALIDO MUITO A PENA!

E a viagem (so agora) re-começou...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

1 mês depois...

A um dia de iniciar o meu regresso, começo interiormente a fazer o balanço desta viagem e a questionar-me sobre o impacto que esta tera no meu quotidiano!

Internet.

Sou uma addicted!  Posso passar horas percorrendo blogs, viajando no youtube ou cuscando no facebook. Algumas vezes, porque gosto realmente da acessibilidade gratuita à informação que ela nos proporciona. Outras vezes, a maior parte delas, funciona como um escape, uma maneira de fugir à realidade, nao porque esta seja mà, mas porque exige que eu seja activa. E embora no final de um dia de trabalho me pareça mais fácil ceder à passividade do que enfrentar activamente a realidade, apercebi-me neste quase-um-mês de viagem de que o isolamento nao compensa! Que ao enfrentar a realidade, ao tentar gerir as experiências com as quais sou confrontada, ao expôr-me, ao abrir-me, sinto mais, aprendo mais, conheço mais e por isso vivo mais! 
No meu regresso a casa, desejo ceder menos a essa passividade e viver mais, o que quer dizer, menos horas sentada em frente ao ecra do computador e mais horas dedicadas ao lar, aos amores e amigos, a mim propria!

desCOMPLICAR.

Em Ubud fui conhecer Jelila, uma terapeuta holistica de renome internacional. Leitura da aura com base na cor dos chakras, um mundo completamente novo e misterioso para mim! No meio de muita informaçao que me foi lançada, uma delas fez particularmente sentido na minha historia. Quando tudo corre bem, quando tudo flui sem obstáculos, eu tenho que procurar e eventualmente criar um problema! é a minha faceta revolucionaria que me diz que tenho que estar sempre a lutar por alguma coisa! Mas nao tenho... E realmente é verdade, tenho tendência a complicar a minha vida de muitas maneiras: ou porque tenho preguiça, ou porque nao quero desconforto, ou porque tenho medo, ou porque nao quero gastar dinheiro, ou porque tenho orgulho, ou porque nao quero perder poder... a verdade é que passo os meus dias a complicar tudo e mais alguma coisa. O resultado é uma fadiga psiquica intensa que me atira para o fundo do "bac"!
No meu regresso a casa, desejo aprender a desCOMPLICAR. Quero aproveitar o tempo que me é concedido neste Terra da melhor forma, nao quero desperdiçar tempo nem energia com coisas que nao têm assim tanta importância! Como ja aqui escrevi noutro post, muitas coisas nao passam de pequeníssimos detalhes que nao nos matam nem ferem gravemente!

Meditação e oração.

Uma semana em Kuta sem um único momento de meditação e sinto-me regressar aos dias que antecederam a viagem: cabeça cheia, "visão" destorcida da realidade resultando numa fraca clareza de espirito e numa tempestade de emoções... Sinto falta do "espaço" que se cria no espirito depois de um momento de meditação, da leveza que lhe é consequente e da paz que se sucede! 
No meu regresso a casa, desejo meditar diariamente, logo pela manha, para enfrentar o dia de uma maneira nao tao séria, mais descontraída, com mais sorrisos, com menos medo e menos stress.
Oraçao. Ao conversar com o Dr Theja, percebi que a diferença entre meditação e oração nao é assim tao grande e que os efeitos no espirito sao semelhantes! A divergência situa-se no facto da oração ser dirigida por pensamentos precisos, tal como enviar amor a alguém (ou pensar com amor em alguém). O livro "Um curso em milagres" chamou igualmente a minha atenção para a oração e apercebo-me de que todos estes eventos geraram em mim a crença ou a fé que procurava! Dou comigo a dizer a mim mesma "Deus te dara as experiências de que precisas para continuares a evoluir!", para logo de seguida uma outra parte de mim (sera ego?) contestar a palavra "Deus" e substitui-la por "Universo"! Sei, com isto, que comecei a acreditar em algo maior, numa energia de amor extremamente poderosa que governa o Universo, mas confesso que a palavra "Deus" me incomoda ligeiramente! Provavelmente porque associo à religião, mais precisamente à religião católica e isso levanta em mim uma série de questões que necessitam resposta! De repente, a necessidade de fazer a preparaçao (como lhe chamam!) para ser baptizada pela igreja católica (PARA PODER SER MADRINHA DE CASAMENTO DE UMA GRANDE AMIGA!) nao me parece uma ideia nada ma! Uma oportunidade para colocar as questões que possuo e discutir de termos como estes, "Deus" e "Universo".
No meu regresso a casa, desejo dirigir-me finalmente àquela igreja católica da cidade e informar-me sobre tudo o que preciso de fazer para me preparar para o baptismo. E se houver baptismo, o pessoal que se prepare, porque vai haver festa! 

Dialogar.

La em casa, temos tendência a fazer as nossas refeiçoes ao mesmo tempo que devoramos séries de TV. Repetindo padroes aprendidos na infância apercebo-me de que um padrao aparentemente pouco importante, pode tornar-se num habito familiar que se transforma  num problema na vida de muitos casais e familias: nao ha dialogo, nao ha comunicaçao, nao ha interesse pela vida dos que mais amamos, nao ha interacçao, existe apenas uma comunhao de espaços e bens! 
No meu regresso a casa, desejo que os momentos passados em torno da mesa sejam momentos de interacçao! Que saboreemos o momento, que estejamos presentes ali e nao numa qualquer série de TV ou telejornal; que discutamos sobre nao-importa-o-quê, mas que haja vida em torno da mesa! Living in the moment!

Gratidao. 

Ao longo desta viagem, comecei a cultivar este sentimento e senti-o crescer! Eu sei que isto pode parecer  poético ou seja la o que for, mas é exactamente o que sinto! Quando inicei a minha viagem, tinha noçao de que tinha tudo aquilo de que precisava no meu dia-a-dia e mais ainda, mas nao conseguia sentir qualquer gratidao. Aqui, aprendi a sentir gratidao mesmo estando longe dos que mais amo, longe do conforto e higiene a que estou habituada! Houve alturas em que quis adiar, dizendo-me que quando regressasse a casa logo sentiria gratidao, mas que aqui, com agua fria, sem lavatorio, sem papel higienico e sem toalha para me limpar ao sair do duche, com osgas, baratas e bichao à mistura, era demasiado dificil! Mas nao foi! Contrariamente ao que possam pensar, tem sido mais dificil sentir gratidao na minha vida europeia do que aqui! Anyway, cheguei a um ponto aqui em que nao preciso de mais nada para me sentir feliz. é claro que se tivesse aqui as pessoas que mais amo, seria ainda mais saboroso, mas nao dependo disso para me sentir bem! Estou num qualquer restaurante de kuta, a lua à minha frente e uma banda atras de mim a tocar a musica "Let it be, let it be" dos Beatles. Sinto uma gratidao indescritivel dentro de mim: "Thank you, thank you, thank you! Por me permitir viver este momento em plena saude, Nesta minha vida em Terra!"
No meu regresso a casa, desejo realizar diariamente a minha lista de gratidao, relembrando momentos pelos quais me sinto ou me devo sentir grata! Comecei a fazer isso em Ubud e é incrivel como de dia para dia, esses momentos começaram a crescer em numero! A verdade é que comecei a sentir gratidao em momentos que antes me pareciam banais e o resultado é que começo a perceber o quao afortunada sou!

Fui até à praia recolher areia para uma amiga e despedir-me da ilha! What a great month! Obrigada por tudo, obrigada por me ter protegido, obrigada pelas liçoes de amor! Vim à procura de magia no exterior e encontrei fé dentro de mim! E agora... let the journey begins!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A derradeira prova

Bom, Kuta nao tem absolutamente NADA de espiritual! Entre um transito caotico, resorts e spas, centros comerciais, comida "de plastico" e uma praia deliciosa mas apenas para os surfistas (porque entrar num mar daqueles é semelhante a uma lavagem na maquina de lavar a roupa!), o meu humor começa a dar sinais de si!

 Hoteis de luxo...

 Centros comerciais com acesso ao mar...

 Lojas e mais lojas...

O paraiso do surf...

Encaremos esta semana em Kuta como o exame final! Conseguirei eu meter em pratica todas as aprendizagens feitas em Ubud agora que estou num espaço menos "fácil", menos propicio?  E digo-vos honestamente que a coisa nao esta fácil!!!

Meditação, que supostamente deveria acontecer todos os dias, nao tem acontecido! O meu ego, mestre da sabotagem, arranja todas as desculpas e mais algumas para evitar ser dominado: que o quarto é pequeno, que nao tem um espaço propicio para meditar, que la fora ha muita gente, que as pessoas vao olhar para mim e por ai fora... num desenrolar de argumentos que me têm persuadido de continuar uma rotina que se vinha instalando! Depois, continuando a sabotagem, diz-me que na Suíça ai sim, que vou ter todas as condições para o fazer e que o vou fazer, todos os dias... bla, bla, bla! Eu reconheço a sabotagem, eu identifico-a, mas nao tenho conseguido ultrapassa-la!!! Shame on me!

Velhos padrões de comportamento re-aparecem e em grande força! 

Agora que estou num lugar que considero menos propicio à minha pratica espiritual, começam as desculpas: que a culpa é do lugar, que se eu nao estou bem é por causa desta gente toda, destes centros comerciais e deste transito caótico! é sempre mais fácil culpar o exterior ao invés de aceitar que estamos a fazer uma escolha, estamos ou melhor, estou a escolher sentir-me menos bem, estou a escolher focar-me nas coisas que se passam fora de mim, estou a escolher... errado!

E quando começo a responsabilizar o exterior pelo meu estado de humor, começa a decadência! Considerando que o "mal" esta no exterior, espero que a "cura" venha igualmente de là! E entao espero que tomem conta de mim, que alguém me "salve", que alguém me ajude (porque depois de um mês de viagem sozinha, nao sou auto-suficiente!?). Carências afectivas re-aparecem e com elas velhos padrões de comportamento! Geram-se discussões e surgem lagrimas de desespero: preciso de salvação!

Ter consciência de tudo isto nao é fácil, mas menos fácil ainda é assumir, assumir que se tem fraquezas... o ego detesta isso, ele tem uma imagem a defender e é por isso que se gera um forte conflito interno entre aquilo que somos verdadeiramente e aquilo que o ego deseja mostrar como imagem do que somos! 

Respirei e assumi, com alguma dificuldade mas assumi! Assumi as minhas fraquezas tirando poder ao ego e assim encontrei de novo espaço dentro de mim para fazer uma escolha... certa!

E nisto, vem-me à memoria um episodio ocorrido em Ubud. Num dos muitos trajectos em bicicleta pelas ruas da vila, resolvi parar e entrar numa loja de roupa de yoga. Ao entrar, apercebo-me de que varias pessoas se encontram num dos cantos da loja, aparentemente atarefadas com alguma coisa. Passeio-me pela loja, tocando em algumas peças, ignorando outras até que cheguei ao local onde se encontrava o tal grupo de pessoas. Observo mais atentamente e apercebo-me de que elas estavam realmente atarefadas com alguma coisa... estavam a tentar salvar a vida de um homem, que ali mesmo, naquele canto daquela loja, sofrera uma paragem cardíaca! Reparo que uma rapariga faz a massagem cardíaca, para logo de seguida ser substituída por um homem que continua a operaçao. E nisto oiço-o dizer "Let's stop. He's dead! ". Sai da loja correndo, peguei na bicicleta e pedalei dali para fora completamente transtornada! 

Nunca falei sobre tal episodio no blog porque nao conseguira perceber porque é que eu entrara precisamente Naquela loja, Naquele momento? Qual era afinal o sentido de tudo aquilo?

Estou em Kuta, a gozar os meus últimos dias de férias, mas sei que nao posso dar por garantido o meu regresso a casa. Ha tanta coisa que pode acontecer até là... Por isso, escolhi viver o momento presente, sem garantias de que o amanha vira, porque garantias dessas ninguém as tem! Tenho comigo tudo aquilo de que preciso para estar bem, nao me falta ABSOLUTAMENTE nada e embora nao tenha aqui ao lado as pessoas que mais amo neste mundo, tenho-as à distancia de um ecra de computador (Gratidão pela internet e pelo skype!). E por isso tudo eu escolho sentir-me bem e feliz! Eu escolho!

E foi assim que vivi o dia de ontem, que viverei o dia de hoje e quem sabe, o dia de amanha! O Universo esta a por-me à prova: serei eu ainda dependente das condiçoes externas para ser feliz ou terei aprendido definitivamente que a felicidade so depende de mim?

Final do dia na praia.

Maravilhoso pôr-do-sol numa praia perto de Kuta.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Deixando Ubud...

Hoje deixo Ubud, vila que se tornou na minha casa nestas ultimas três semanas!

Esta ultima semana foi sem duvida a mais intensa! Tive a impressão de que tudo começava finalmente a acontecer e a uma velocidade estonteante, tornando-se difícil para mim assimilar tanta mensagem que me ia chegando! Um jantar entre fellows do Canada e de França, o encontro com a havaiana Mala que me levou a Robin Lim e a Kanaia (o "little boy"), a conversa de ontem com o Dr. Theja e fellows do Canada, Australia e USA sobre meditaçao, estilo de vida e astrologia... tudo começou a fluir para mim sem quaisquer barreiras! E é precisamente neste momento que deixo Ubud para ir conhecer Kuta, um espaço pouco ou nada espiritual que me ajudara a atenuar a transição entre este mundo e o outro, ocidental, que me espera!

Vivi, até agora, experiências magnificas: conheci Ketut, realizei dez aulas de yoga, algumas das quais absolutos "abanões espirituais", mergulhei e rezei nas águas sagradas de Tirta Empul, chorei ao (re)encontrar uma cadela especial, relaxei nos diversos e maravilhosos spas da vila e, nao menos importante, sobrevivi estas três semanas sozinha, sem sombra de solidão! Sim, houve vezes em que se tornou um pouco boring... estou sozinha e nunca tive realmente ninguém aqui com quem partilhar as experiências, mas... nunca me senti desesperada ao ponto de querer voltar imediatamente para casa! E isso é MUITO para mim, para a MINHA historia... quando me lembro que na Madeira desesperava frequentemente, mesmo vivendo no meu pais com outras pessoas de quem até gostava e com dias preenchidos pelo trabalho! Aqui, no outro canto do mundo, sem ninguém, sem a minha língua, numa cultura completamente diferente da minha, eu sinto-me mais forte!

Vim para Bali esperando que a magia acontecesse e o que tenho a vos transmitir da minha curta experiência é que a magia nao existe fora de nos! Nao é esta ilha que vai trazer-me todas as respostas, nao é por ter feito esta viagem que me transformarei numa pessoa perfeita, feliz, calma, sabia, intuitiva... Nao é porque estou aqui que vou conhecer gurus que me guiarão no meu processo evolutivo! Nao retornarei a casa completamente transformada, como gostaria! Vim para ca procurando fora de mim aquilo que apenas posso encontrar ca dentro! Algo que eu ja ouvira e dissera varias vezes, mas que nunca sentira realmente!

Tenho uma clara consciência de que vim aqui para começar qualquer coisa... é apenas o inicio, nada foi realmente alcançado!

Yoga: ainda nao sinto verdadeiramente os efeitos mentais, mas sinto-os no corpo! As posturas sao ainda difíceis e dolorosas, mas o meu corpo torna-se mais flexível e zonas que eram anteriormente dolorosas nao o sao mais! Dei-me conta de que no meu dia-a-dia, quase nao respiro; durante determinadas posturas, tenho a impressão de abrir espaços no meu corpo com a minha respiração, espaços por onde o ar nunca antes passara! E apercebo-me também que no meu dia-a-dia, nunca tenho consciência de que respiro, nunca me lembro de respirar...

Meditaçao: também e apenas o começo, é ainda difícil de acalmar a minha mente. Ha que meditar todos os dias e mostrar à nossa mente que nao vamos desistir, que vamos continuar, até que ela se acalme e nos possamos ter acesso à sabedoria universal ou a Deus! Estao a perceber o que vos digo? Nao é por ter vindo aqui que tudo alcancei... eu queria magia e aprendi que devo trabalhar, todos os dias, a cada momento do dia, para conseguir a tranquilidade de espirito que almejo!

Fui confrontada a padrões de comportamento. Medos, julgamentos constantes de mim mesma, recusa em aceitar, falta de gratidao. Conheci-me melhor a mim mesma... e procuro aceitar-me como sou! Aceitar!

Quando nos afastamos de tudo o que nos é familiar, da nossa zona de conforto, apercebemo-nos de tudo o que temos e do pouco que valorizamos! Temos tantas coisas pelas quais nos devemos sentir gratos! A minha casa, por exemplo... ok, nao é realmente a MINHA casa, mas é ela que me acolhe a cada final de dia, é confortável, e responde a todas as minhas necessidades e mais algumas. E eu nunca estou contente... quero uma casa que seja realmente minha, jardim e tudo... e nao é incorrecto querermos mais para nos, mas nunca terei mais enquanto nao sentir sincera gratidão por tudo o que tenho ja! Enfim... trabalhar a nossa gratidão é tao importante quanto meditar diariamente!


E finalmente, ha que parar de complicar a vida, de criar problemas onde eles nao existem, de nos construir barreiras e limites por tudo e por nada! Eu sei, facil falar, dificil fazer! Mas, escutem bem o que vos digo... todos os dias, a cada momento, temos a possibilidade de escolher! Podemos escolher complicar as coisas e deixarmo-nos levar por todas as consequências que lhe sucedem, ou podemos escolher parar, respirar profundamente algumas vezes e suprimir as barreiras que nos proprios construimos! Nos temos sempre a possibilidade de escolher, SEMPRE!

Vou hoje para Kuta. O meu quarto nao tem agua quente e escolhi assim porque era mais barato (eu falei que tinha problemas em gastar dinheiro?!). Mas porquê Sofia? Nao sejas assim, sao so mais meia dúzia de tostões e terás mais conforto! Sim, é verdade... Mas alguma vez alguém morreu por tomar duche de agua fria? Entao?! Quando faltar agua quente la em casa, vou recordar esta experiência e ao invés de ficar de mau humor porque agua fria nao é confortável, eu vou agradecer por ter simplesmente agua, banheira e casa de banho sem baratas ou osgas (que é o que nao falta aqui!). A sério... quando é que a agua fria passou a ser um problema nas nossas vidas?! é tao e somente um pequeno detalhe...

é como a posição para meditar. Ja experimentaram? Sim, sentadinhos de pernas cruzadas, costas direitas, maos posadas em cima dos joelhos! 5 minutos passam-se bem. 10 minutos, joelhos e pés começam a doer! 15 minutos, pernas dormentes... e ai queremos parar, que é demais, que nao vale a pena suportarmos tanta tortura! Mas alguma vez alguém morreu com tal desconforto?! Essas dores nao nos vao matar nem causar danos maiores... so e apenas algum desconforto! é tao e somente um pequeno detalhe...

A minha viagem ainda nao terminou! Mais uma semana de profunda aprendizagem, mesmo se o local é menos "espiritual"!

Deixo amor a todos os que me seguem, comentando ou nao! 
Gratidão por estarem ai e paz nas nossas vidas!* 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Working with Robin Lim

7 da manha, despertador! Aula de yoga à 8. Nova professora, mais uma mulher encantadora, mais uma aula fabulosa! Ao longo destas 3 semanas, o meu corpo evoluiu e a minha mente resiste menos e descansa mais!

9h45, hora de um fabuloso pequeno-almoço: sumo de papaia e torradas com manteiga de orquídea! Enquanto me deliciava com a refeição, definia na minha mente o programa do dia: "A seguir ao pequeno-almoço, vou dar um mergulho na piscina. Devoro mais umas paginas do livro "Un cours en miracles" e dou o "bom dia" ao namorado vis skype. Depois vou almoçar e de seguida, a missão definida ontem com ajuda da mae: gastar dinheiro comprando alguma coisa para mim!" (Pois parece que tenho um ENORME problema nao em poupar, mas em gastar dinheiro! Assunto para outro post.)

Enquanto a minha mente se preocupava com tudo isto, uma senhora "estacionava" a bicicleta no parque do café. Dos seus cerca de 60 anos, pele queimada e enrugada de tanto sol e de vestuário colorido qual baba cool, ela entrou no café carregada de sacos, falando alto e rindo para toda a gente. Oh nao! - pensei - mais uma Mme Bijoux chanfrada da corneta! So espero que nao se venha meter comigo!

Mas, como atraímos aquilo em que pensamos e eu pensava nela, nao é de admirar que ela tenha vindo sentar-se na mesa mesmo ao lado da minha! E que tenha começado a conversar comigo! E que por fim se tenha sentado à minha mesa!

Chama-se Mala, é Havaiana e é uma midwife. Ha varios anos que vem para Bali por alguns meses como voluntária na Yayasan Bumi Sehat (Healthy Mother Earth Foundation), criada pela famosa Robin Lim!

Robin Lim é uma americana residente em Bali que recebeu em 2011 o prémio "CNN Hero of the Year". "Mother Robin" tem ajudado milhares de mulheres indonesianas pobres a atravessarem uma gravidez e um parto saudaveis. A fundaçao presta cuidados pré e pos-natal gratuitos e auxilia o parto natural, utilizando técnicas para alivio da dor, diminuição da taxa de cesarianas contribuindo assim para mamas e bebes saudáveis! 

Mala pergunta-me de onde venho e o que faço, questões comuns entre viajantes. Que sou portuguesa, que vivo na Suiça e que sou fisioterapeuta. Diz que precisa da minha ajuda, que ha um menino que esta com problemas e pergunta se posso ir vê-lo à clinica da "Mother Robin"! 

20 minutos depois, eu estava na clinica, de boca aberta, vendo mulheres contorcerem-se com dores de contracçoes, ouvindo outras berrando e fazendo força durante o parto, pegando em recém-nascidos ao colo e tudo isto entre dezenas de casais chegando e partindo de mota com os seus bébés para as consultas pediatricas gratuitas. De repente vejo Robin, com a sua grande trança e aquela sua expressao calma e bondosa, deslocando-se rapidamente para um dos quartos: "She's having the baby! Let's go!" - diz em alta voz, seguida por uma série de midwives voluntárias que chegam de todos os cantos do mundo!

"Let's see the little boy, Sofia!" diz-me Mala. Sigo-a. O "little boy" tem 2 anos, e nao tendo um diagnostico preciso,  apresenta um nítido atraso de desenvolvimento motor, precisando de muita ajuda para conseguir fazer alguns passos! So sei que minutos depois, eu estava com ele no chão, tentando fazer algo semelhante a um tratamento de fisioterapia em condições que eu nunca vira! Precisava de colchões no chão, de jogos, de brinquedos, de bolas e balões! Ao invés disso tinha relva, pedras, arvores, flores, bichos e terra! De pés descalços, transpirando com o calor forte e húmido da "Terra dos Deuses", eu pensava no meu curso de Bobath e no que a professora me dissera, que o importante é trabalhar no ambiente próximo do doente, que nao precisamos das salas de terapia, que os jogos que utilizamos em terapia nao significam absolutamente nada para o paciente! Ora ali estava uma boa oportunidade para (tentar!) meter tudo isso em pratica!

Depois do "tratamento", seguiu-se um almoço com Mala, que me chama de "Sweetie"! Almoçamos e conversamos sobre as nossas vidas! Ela falou-me do ultimo marido, que morrera porque ingerira um germe existente em Africa e na Asia que o levou a uma morte lenta e sofredora! Eu falei-lhe do meu trabalho, da minha falta de crença na profissao que exerce, se farei realmente alguma diferença na vida das pessoas e da minha falta de crença em geral!

Diz-me para dar amor aos meus doentes, para lhes tocar com amor! Diz-me que use cor, que meta musica, que os faça rir, que faça tratamentos em grupo, que os leve a sair, que use animais e crianças para animar os seus dias! Diz que a minha missao nao é trata-los mas faze-los esquecer, nem que seja por uns breves minutos, da situaçao que vivem! "You are there to love them!". E acrescenta que, se nao sou feliz ali, que deixe o lugar! Que nunca se sabe até quando estamos neste nosso corpo e que portanto, devemos seguir o nosso coraçao e as suas paixoes; nao ha tempo a perder! Falamos ainda de Deus, do Universo, do Uno, do amor como a unica coisa real, da Era Dourada, de terapias alternativas, da morte (que nao existe!), do contracto que assinamos antes de virmos a esta vida, que vivemos o que escolhemos viver... 

As mensagens que os meus ouvidos recebem e que os meus olhos observam sao tantas que começo a sentir uma ligeira dor de cabeça, que me acompanhara o resto do dia! Muita informação para absorver e digerir!

De maneira que até sexta-feira, trabalho como voluntária "with Robin Lim", tendo fazer o meu melhor pelo "little boy"! O menino precisaria de fisioterapia constantemente, mas fisioterapeutas so em Denpassar e a preços inacessíveis para a família! Na fundação, nao se vêem fisioterapeutas voluntários; apenas médicos, enfermeiros e parteiras o que me diz que ainda ha muito a fazer! Em Bali, as crianças deficientes sao isoladas pela própria família, sobretudo por vergonha, o que nao contribui em nada para o desenvolvimento ja atrasado do "little boy". Hoje, conseguimos convocar familia e vizinhos para assistirem ao tratamento e ao que me pareceu, a criança nunca vira tanta gente junta torcendo por ele! Que sorriso lindo aquele! Amanha, amanha sera dia de piscina! O meu objectivo é transmitir o máximo de informação a Mala e à família do menino para que ele continue a ser estimulado todos os dias, mas o ideal seria mesmo encontrar fisioterapeutas voluntários!

Se alguém estiver interessado em voluntariar-se ou conhecer alguém que podera estar interessado, nao hesitem em contactar a fundaçao: info@bumisehatbali.org ou iburobin@bumisehatbali.org ou entao contactem-me se tiverem algumas questões que gostariam de ver esclarecidas primeiro! Se quiserem contribuir com dinheiro, a fundação agradece para poder adquirir material, medicamentos e melhores condições! 

La bonne nouvelle: uma nova clinica começara a ser construída ainda este ano, muito graças ao prémio recebido pela Robin, mas ajuda continua a ser necessária! Ainda hoje um casal de Australianos chegou com 3 sacos cheios de lençóis para bebes, barretinhos e ursos de peluche e ao que parece fazem algo semelhante todos os anos! Eita (como diria a Carol!), que ha gente boa neste mundo!

Escusado sera dizer que tenho o coraçao a abarrotar de gratidao! Mala agradece-me, mas quem agradece sou eu, por poder fazer parte, mesmo que por apenas alguns dias, de algo tao GRANDE, tao MARAVILHOSO, tao BOM! Nao estou a ajudar mais o "little boy" do que ele me esta a ajudar a mim, acreditem! E no fim de contas a vida é isso mesmo: criar relaçoes de troca, dando e recebendo, sem manias, sem posiçoes ou lugares a defender!

Dar, GRATUITAMENTE, porque o que se recebe em troca é nem mais, nem menos do que o INDESCRITÍVEL!  

A entrada da clinica.
 A foto nao mostra praticamente nada, mas a clinica nao é fisicamente muito mais do que se vê... telhados e chão! O resto é amor :)




quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sem "DEVIA"!

O dia de ontem nao foi propriamente preenchido e eu nao estava contente. Quer dizer, eu estava contente com o dia, nao estava era contente com o facto de ele nao ter sido preenchido! 

é aquela ideia derrière la tête que nos diz que todos os dias têm que ser espectaculares, preenchidos de emoções e acontecimentos únicos, sobretudo quando nos encontramos no outro canto do mundo... que temos que aproveitar ao máximo (eu conheço a mesma versão em varias línguas, "Sofia, aproveita ao máximo!" ou "Sofia, profite à fond!")! Mas o que é isso de aproveitar ao máximo?!

E por isso eu nao estava contente. Nao estava contente porque a minha mente falava que eu DEVIA ter feito isto, que eu DEVIA ter feito aquilo, que era SUPOSTO eu fazer aqueloutro e quando a mente fala demais, a gente deixa de ouvir o coraçao. E quando deixamos de ouvir o coração, a gente nao sabe mais o que quer realmente! Por isso ontem, ao final do dia, tomei a decisao de dizer chega ao "DEVIA"!

E nisto ele liga-me via skype. Falamos do nosso dia e ele insiste com a pergunta "E amanha o que vais fazer?". Digo que nao sei, que logo se vê e ai sinto uma ligeira irritaçao. A minha mente esta a querer dizer-me que eu DEVIA fazer qualquer coisa, mas eu nao quero ouvir, recuso-me a ouvir! E ai ela protesta ainda mais... mas eu nao deixo! CALOU!

Hoje acordei às 8 da manha, como quase sempre desde que aqui cheguei. Escolhi ficar na ronha "mamando" séries no computador até que o meu coração falou mais alto do que a minha mente! "Sofia, chega de computador! Estas a refugiar-te da realidade... estas por tua conta em Ubud, nao tens quaisquer planos para hoje e o dia prevê-se boring. So what?! Enfrenta!" E enfrentei! Lavei os dentes, a cara, meti o biquini e preparei-me para ir tomar o pequeno-almoço.

No caminho, cumprimento alguns dos trabalhadores da home stay que aguardavam pacientemente que eu deixasse o meu quarto para que eles pudessem limpa-lo e arruma-lo.

- What are you going to do today? - pergunta-me um.
- Oh... I don't know... but I would like to go see the elephants! - respondo.
- I can take you if you want!  - responde-me o mesmo. - I have motorbike, but I'm careful, do not worry! And I can show you some temples around Ubud if you like!
- Ok, thank you! - replico ainda nao convencida! - And your name is...???
- Eddie. Eddie Murphy! - acrescenta, colocando o rosto de perfil como que me mostrando as semelhanças com o actor americano.

Mais uns dedos de conversa e combinamos o trajecto e o preço. Visitar os elefantes e de seguida, Tirta Empul, o templo das aguas sagradas! Monto-me na mota agarrada ao "Eddie Murphy" e assim se inicia uma manha imprevisivel!


Chegada ao primeiro destino, um sarongue foi-me impingido à entrada! 
- Why do I have to put this on? - pergunto ao Eddie.
- Because it's a temple and you have to respect the place by using the same clothes balinese people use! 
Aceno afirmativamente com a cabeça sem perceber no entanto porque haveriam de colocar os elefantes dentro de um templo sagrado!

Começamos a andar, subindo e descendo escadas no meio de uma floresta tropical, ao som de agua deslizando por entre pedras e rochedos!




Ao mesmo tempo que procurava captar fotograficamente tudo o que presenciava, eu utilizava todos os meus sentidos em busca dos majestosos elefantes, mas nada!




E foi quando saímos do templo que resolvi lançar: 
- I thought we were here to see the elephants!
- Yes, this is the elephant cave! - responde-me Eddie.
- No, I mean the animals, the elephants! (so faltou mesmo iniciar uma mimica do bicho...)
- Oh!!!! You mean the elephant park!!!
- Yes!
- Oh, that is too far. Can not go with motorbike. Must go with car. I can talk to my brother tomorrow... he has a car!
- Ok, ok, no problem! - respondo.
- I'm sorry!
- Eddie, there's problem, really! I wouldn't have come to this wonderful place if it wasn't you! I'm really happy to have visited this place... it's beautiful!

As minhas ideias bem definidas sobre o programa da manha haviam sido graciosa e maravilhosamente alterados! O templo que visitei chama-se Goa Gajah, Bali's sacred elephant cave e tem origens no século XI. Julga-se que o local foi parcialmente destruído por um desastre natural e ficou submerso durante séculos até à re-descoberta em 1923. Ao visitar o local, muitos sentem-se regredir no tempo. Aqueles que o visitam para meditar, sentem-se facilmente mais calmos pela essência espiritual do local. Facto interessante é o de que duas das fotos tiradas no local estão repletas de orbs (presenças espirituais para os que acreditam).



Proxima paragem: Tirta Empul, um templo cujas aguas, criadas pelo Deus Indra, terao propriedades curativas. Eddie abandonou-me à entrada, alegando nao estar vestido correctamente para entrar no local. "I will wait for you here" disse-me, despedindo-se.


Entrei, sarongue impingido pela segunda vez nesta manha e assim que me aproximei, reconheci de imediato o local fotografado inúmeras vezes pela minha cyber-amiga Carolina Bergier.


Dirigi-me aos balneários para me preparar para entrar nas aguas sagradas. Biquini por baixo e sarongue por cima, cobrindo o máximo de pele possível para respeitar a cultura. Mas e meter o sarongue? Eu dava voltas e voltas com o pano e por mais tentativas que fizesse, saia sempre de rabo à mostra! Olhava ao meu redor perguntando-me como é que Carol havia conseguido fazer tamanha proeza até que, nao tendo outra escolha, resolvi pedir ajuda a uma jovem rapariga indonesiana que ali se encontrava. Felizmente, este povo esta sempre disponível para ajudar e num instante ela "enrolou" o sarongue à minha volta, tapando tudo o que deveria ser tapado. Ali estava eu pronta para iniciar o ritual!

Tentando nao chamar a atençao - rapariga ocidental viajando so se metendo no meio do povo indonesiano - larguei os meus chinelos na entrada do templo e meti os meus pés na agua. GELO! Prossegui. Agua pela barriga e toca a andar em direcção a uma das fontes livres jorrando agua sagrada!

E mal toco aquela agua com as maos, uma súbita vontade de chorar se apoderou de mim! Nao era tristeza, nao era medo, nao era desespero... eram as minhas primeiras lagrimas de GRATIDAO! Gratidao por estar ali, por poder viver aquilo, por sentir aquela agua correr-me nas maos! Gratidao ao Universo por me ter ajudado a chegar até ali, por nao me ter deixado desistir da ideia e por estar a cuidar sempre bem de mim nesta minha grande viagem!

Chorei sem ninguém dar por isso porque as minhas lagrimas se misturavam com as aguas sagradas. Fechei os olhos, uni as maos em jeito de reza, rezei um "pai-nosso" porque sim... e depois falei com Deus (ou com o Universo, nao é Carol?!). Primeiro, agradeci. Depois pedi. Pela minha familia. Próxima e afastada. Com quem me dou e com quem nao me dou. Pelo namorado maravilhoso e sua família. Pelos amigos. Pelos menos-amigos. Pelos que me magoaram e pelos que magoei. Pelos colegas de trabalho. Por mim. E no fim, outro "pai-nosso", porque sim! 

Terminando o meu momento, resolvi virar costas à fonte para receber a agua no topo da minha cabeça, bem ali no 7chakra e nisto abro os olhos para me aperceber de que atras de mim, uma fila de pessoas aguardava o meu lugar. Todas as outras fontes se encontravam livres e mesmo assim, todas as pessoas aguardavam em fila Aquela fonte onde eu me encontrava vivendo o Meu momento! Ninguém queria as outras fontes. Todos queriam a "minha" fonte! Deixei o meu lugar sem perceber o que se passava... olhei ainda para tras para me certificar de que tinha visto era bem real! Sim! Fila para a "minha" fonte; as outras fontes, vazias. Alguma coisa de muito especial e inexplicavel se passara certamente!

Sai feliz em direcção aos balnearios. A minha missão ali estava cumprida (ou pelo menos parcialmente, porque entretanto fui-me lembrando de muita coisa que gostaria de ter falado e que nao falei!). Como estava sozinha, nao pude fotografar o momento. Apenas aquele que lhe sucedeu!


Ainda nos balneários, feita num pingo, eu agradeci mais uma vez pela oportunidade de viver esta experiência maravilhosa! 

Reencontrei o Eddie ca fora e regressei feliz a casa! Acordei sem "DEVIAS" e fiz exactamente aquilo que o meu coração pedia! Resultado: sentimento de concretização, de felicidade, de amor e de MUITA GRATIDÃO!